quarta-feira, 31 de março de 2021
Voce pode contar consigo ?
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
O sentido da vida
Diante da ameaça real, da vulnerabilidade da vida por conta da pandemia que nos aflige e que, volto a dizer, traz ameaça direta à vida, quantas questões não nos são colocadas sobre ela - a própria vida?
Nós que estamos sempre nos questionando a respeito do seu sentido, dramaticamente, podemos constatar que ela em si é a razão, o sentido último.
Respirar dá sentido à vida! Não morremos sem oxigênio?!
Não estamos entristecidos e até deprimidos por não estarmos na presença dos nossos queridos vendo-os simplesmente, ouvindo-os sem ter a máscara como abafador? A impossibilidade de transmitir afeto, através de um simples aperto de mãos, sorriso, abraços e, até mesmo, o simples cumprimento dos gestos sociais não têm sido notados como algo que traz e dá sentido às nossas vidas? "Como"do oxigênio, precisamos uns dos outros.
O necessário uso da máscara, o rigor na higiene pessoal e de tudo que entra nas nossas casas, assim como as condições precárias a que muitos estão expostos têm deixado claro, para muitos de nós, que estar vivo é o maior sentido da vida - que deve ser preservada a qualquer custo.
Quando não mais tivermos que preservá-la da maneira recomendada para atravessarmos esse tempo difícil, que a vida permaneça nesse lugar de atenção, para que não deixemos escapar o que, realmente, preserva e dá condições para que sigamos em frente, com dignidade e compaixão.
Que não nos falte coragem, para lutar pelo direito pleno à ela!
quarta-feira, 28 de outubro de 2020
"Narcisos" e "Ecos"
Ah, se Narciso pudesse entender que a imagem por quem se
apaixonou era a da própria alma! Quem sabe assim, tivesse evitado a fama de ser
apaixonado pela sua aparência! Quem sabe, tivesse chegado ao século 21 com um ego
menos inflado, menos crente em um eu grandioso exibicionista que, como tal, tem-se
em alta conta, mas vive buscando ser refletido pelo olhar de admiradores e/ou
seguidores!
Quanto esforço precisa ser feito para manter esse poder? Quanto precisa se desdobrar para manter o que infla o ego, para que cada vez
mais possa se exibir e, admirado, compensar sua baixa autoestima?
Ah, se Narciso pudesse entender que havia um Si-mesmo a
conhecer... Quem sabe, descobrisse a fonte de satisfação que não só o levaria
ao amor próprio genuíno, como à relação, de fato, com o outro – que, por sua vez
deixaria de ser usado e descartado à medida de seus interesses... Afinal, vimos
que o papel do outro na vida do narcisista é de mero reflexo de sua
grandiosidade! É de alguém, portanto, que não precisa ser visto, ouvido,
considerado. É alguém que está ali só para confirmá-lo, agradá-lo e, ainda, se
dar por satisfeito por ter sido eleito por ele, para estar em sua companhia!
Nesse lugar, quase sempre, encontramos Eco que chegou até aqui,
acreditando que em algum momento fosse ser vista e reconhecida por dar o seu
melhor, renunciando a si (necessidades, desejos, projetos, amigos etc.) em
favor dele (a) narcisista.
Que parceria encontramos aqui?
“Narcisos” perdidos nos reflexos da sua imagem. “Ecos”,
tendo olhos só para o outro, perdida de si mesma, aceitando viver de migalhas
e, repetindo só o que Narciso quer ouvir! Ambos, no desiquilíbrio de si mesmos,
constroem uma relação de co-dependência. Tanto um como outro, egoísta e
generoso, alimentam de vaidade o próprio ego: narcisistas pela grandiosidade do
seu eu e “Ecos” pela grandiosidade dos gestos de generosidade em favor deles.
O equilíbrio deve vir do eixo ego-Si-mesmo. Quando o ego
está inflado descompensa a gangorra em que na outra extremidade está a alma (Self,
Si-mesmo junguianos). A compensação ou complementação de cada um, não está no outro.
Narcisistas têm que buscar o encontro consigo, através do processo de autoconhecimento.
Nele está o que buscam fora de si; assim, como as(os) "Ecos" têm que doar para
si o que tão facilmente ofertam ao outro.
O autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal à luz da
alma, cuja vocação é a autorrealização são condições sine qua non, para
relações maduras e equilibradas – tanto consigo mesmo, como com o outro.
terça-feira, 1 de setembro de 2020
A urgente tarefa de separar o joio do trigo
terça-feira, 21 de julho de 2020
Sem medo de Perder - e os enfrentamentos da mulher à luz do mito Eros e Psiquê
segunda-feira, 15 de junho de 2020
As exigências da pandemia
Contudo, não deixo de considerar a imensa dificuldade que isso possa ser para os pais de hoje, que já não foram educados para o sacrifício, para renúncias; enfim, para tolerância à frustração e com pouca noção de limites.
Para os pais que são filhos de pais que viveram muita repressão tampouco suportariam ver seus filhos, as novas majestades, serem a ela submetidos.
Animadora me parece a possibilidade de um espaço intra subjetivo, um oásis, um paraíso que é criado, exatamente quando há resistência à frustração, renúncia e sacrifícios em favor do outro que amamos,e por quem somos responsáveis. Paradoxo, também, explicado pelo amadurecimento da empatia e da capacidade de amar.
terça-feira, 19 de maio de 2020
Encapsulados
Quanto tempo consegue ficar sem "novidades"?
Quanto tempo é capaz de dispor para ler um texto, às vezes, de pouco mais de um parágrafo ou assistir a um vídeo que dure mais do que dois, três minutos?
Quanto tempo consegue ficar longe do seu celular?
As respostas à essas perguntas podem levar a um dado de realidade bastante preocupante: não só o esquecimento de boa parte desse conteúdo é certo; assim como o são a irritabilidade, a impaciência diante de conteúdos mais extensos ou da necessidade de fazer alguma reflexão.
A imagem de pessoas encapsuladas caminhando lado a lado numa ilustração, fez com que pensasse na dificuldade de relacionamento dada, também, pela pouca disponibilidade de escuta do outro, pela intolerância para com as diferenças de opinião, visão de mundo, entre outras.
Que o outro não seja visto só como um vetor de contaminação, motivo de irritação ao solicitar que saia por algum tempo de sua cápsula - seja ela qual for! Que, ao contrário, seja aquele que espelhe sua própria necessidade de ser acolhido, ouvido e compreendido.