segunda-feira, 25 de maio de 2026

O código do ser

Somos mais de 8 bilhões e o código digital não se repete. Não há um igual ao outro, em nenhum caso.
É um código único entre esses bilhões de seres humanos.

O mapa das digitais é "impresso", durante a gestação e está codificado nas linhas de cada digital sob as camadas superficiais da pele, onde podemos vê-las. 
Entretanto, não é incomum serem apagadas por agressões à pele ou desgaste natural dela. Apesar disso, recuperam-se com tratamento adequado e suspensão desses elementos agressores.

Analogamente,temos um código único - o Self (Si-mesmo). Um código sem igual, em nenhum caso. Um verdadeiro mapa de nós mesmos!

Esse mapa pode estar escondido sob o peso das ilusões, das defesas do ego e dos complexos transtornos. 
Assim como no caso das digitais, agentes agressores do meio, de todo tipo, também, ajudam a nos confundir e a desviar os caminhos que nos levam ao Si-mesmo.

A tomada de consciência dessas camadas que se sobrepõem e nos  desviam de quem somos - torna possível ir ao encontro de si .
É o tratamento que torna possível nos conhecer e, finalmente, estar em paz consigo mesmo e com a vida - com tudo que vem com ela.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Os efeitos curativos da escuta qualificada

As mudanças promovidas pelo fluxo rápido de conteúdo, especialmente, nas redes sociais, provocam muitas reflexões acerca do comportamento humano contemporâneo. 

Entre essas, a reflexão sobre a capacidade de envolvimento na jornada rumo ao autoconhecimento. 

Impaciência, traço comum hoje à maioria das pessoas, tem feito com que dedicação, responsabilidade para consigo mesmo, tolerância à frustração apareçam na hora da escolha por esse ou aquele processo psicoterapêutico.

A jornada rumo a si mesmo, traz à consciência possíveis causas do sofrimento em forma de angústia e paralisia diante da própria vida. 

Os muitos sintomas apresentados tanto pelo indivíduo, como pela coletividade são oportunidades de tomada de consciência. São oportunidades para falar e ser ouvido (a).

O processo analítico em suas várias correntes, tem sido repensado. Entretanto, a sua essência continua fazendo diferença: a escuta atenta e qualificada da fala do analisando. 

A análise é  um processo de dentro para fora.

Ao encontrar na escuta do analista espaço para os pensamentos, sentimentos e visão de si e de mundo o sujeito apropria-se dos recursos que estavam bloqueados pelos sintomas e seu sofrimento. E, aos poucos, modifica seus comportamentos. 

A pessoa passa a ser o sujeito de suas escolhas e da maneira única de viver a própria vida: objetivos de toda jornada  bem sucedida de autoconhecimento.  


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Falta um: a angústia e a jornada da incompletude humana

Falta um!  Falta um objeto, para completar, para sanar a angústia da falta.

Falta um para que, com a idealização da completude, o sentimento de onipotência volte a ser vivenciado, como já o foi no paraíso, na mitologia grega ( o mito do homem redondo) e na relação mãe/bebê.

Falta um! Um objeto que precisa ser encontrado a todo custo para que a vida siga, ganhe sentido e, finalmente, livre o homem da angústia existencial. Nessa busca, encontramos as mais variadas formas de compulsão e sofrimento. 

Em sua incompletude, o ser humano vivencia  a angústia da sua existência única, separada. Sobretudo, é através da falta que se pode movimentar para lidar com a angústia. Não há o objeto perfeito, o jeito perfeito de se fazer, de se relacionar e de ser. Sempre, haverá um vazio!

O jogo  conhecido como puzzle de deslizamento ou quebra cabeça deslizante ajuda a compreender melhor o papel da angústia existencial ou o papel da falta na condição humana: não fosse o quadrado vazio, não haveria como fazer os deslizamentos para completar as sequências do jogo. Apesar do quebra cabeça ser resolvido, ainda, resta um vazio!

Assim, é!

A "falta" se revela como uma força motriz na experiência humana, impulsionando a busca por significado e completude. A angústia gerada pela separação e pela incompletude não deve ser vista apenas como um fardo, mas como um convite à ação e à reflexão. Assim como no quebra-cabeça, é no espaço vazio que encontramos a oportunidade de nos mover, de buscar e de nos reinventar. Ao abraçar essa falta, podemos transformar a angústia em um caminho para a autodescoberta e para a construção de uma vida mais plena.






segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O estado borderline da sociedade

Perdemos os contornos da etiqueta, da ética, do sagrado (em si e em nós). Já não nos reconhecemos no outro! Estamos, cada vez mais, desaprendendo a argumentar racionalmente, objetivamente e com respeito. Passamos a defender pontos de vista, com parcialidade e agressividade impulsiva - aos berros, murros, tiros e perversidade.

A linha que separa o são do insano está borrada, tênue. A racionalidade contaminada por impulsos. O público e o privado cada vez mais indiferenciado.


A lei do menor esforço vigora na busca do prazer, como fonte de poder. E, no imperativo desse poder o humano vem se aproximando do caos, da desgovernança de si e da sociedade.

Uma sociedade saudável e sagrada é consciente  dos valores que a orientam e que, portanto, precisam ser defendidos e preservados para uma existência digna daqueles que a compõem. 





domingo, 7 de dezembro de 2025

Mais um ano vai se encerrando e, com ele, o acompanhamento de pessoas em psicoterapia. 
Pessoas que ouviram suas dificuldades e que se puseram a caminhar, confiando no processo psicoterapêutico e no trabalho que realizamos juntos (as).
Até mesmo,  mudanças sutis resultam em menos sofrimento, em mais sabedoria nesse caminhar mais autêntico. Admiro a coragem, a dedicação e a entrega ao processo de autoconhecimento que a psicoterapia proporciona. 
Feliz Natal! Feliz Ano Novo! Boas festas!

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Era uma vez...

Princesas adormecidas, mantidas em estado de inconsciência, aguardando do masculino fora delas a redenção, a salvação. 
Belas e/ou obedientes buscavam corresponder às expectativas desse masculino a quem muitas vezes uniam-se em simbiose.

O tempo passou e as princesas mudaram!

Revestidas agora do masculino, a partir de um processo adaptativo e defensivo, são aventureiras, independentes, dominadoras. 
Olham para o masculino fora delas de igual para igual, quando não o despotencializam, desprezam ou esperam dele (quase que) uma atitude maternal.

É o princípe quem, agora, adormece!

Aqui, tanto as princesas como os príncipes precisam de transformação. Caso contrário: quem os despertará? 


(- Como seria se a mulher identificada com o masculino fosse convocada a despertar o princípe adormecido?)


O que precisa ser feito  para que  tanto o feminino, como o masculino sejam transformados?
 
Mulheres e homens forçados a adaptarem-se ao mundo que construímos até aqui reprimiram o feminino, depreciaram-no, esvaziaram-no de sua potência, das características necessárias à nossa humanidade. Necessárias ao nascimento do novo, da síntese de que tanto carecemos - em todos os setores da sociedade tão polarizada!

Portanto, ainda, é necessário redimir o feminino: desta vez integrando-o.

A mulher não identificada com o Animus (contraparte masculina da sua personalidade), mas,  que o tem como seu "príncipe consorte" será suficientemente capaz de exercer sua feminilidade. 
Autônoma e independente poderá escolher ir ao encontro do homem -  aquele que, por sua vez, tenha redimido em si o feminino, integrando-o à sua personalidade através da Anima.

Ambos despertos e inteiros poderão lado a lado, finalmente, seguir vivendo de maneira mais plena a vida que se lhes apresentar. Quem sabe assim, "felizes para sempre"!





domingo, 16 de novembro de 2025

Da adaptação do homem ao sacrifício do feminimo genuíno. Além do controle: encontrando a verdadeira Força do Feminino

  •  Ao fazer sua adaptação ao mundo o homem, muitas vezes , relaciona-se de maneira irresponsável com o feminino. Negligencia tanto seu lado jovem, terno,  receptivo e empático como as mulheres com quem se relaciona. Isso traz consequências como, por exemplo, viver em um ambiente caótico e de disputa entre os sexos.
  • Muitas filhas, diante desse pai poderoso, que tem sempre razão e justificativas para se manter no controle ou daquele imaturo, negligente e irresponsável podem desenvolver uma couraça de força e poder - cujo principal desejo é controlar. Estar no controle lhes parece manter as coisas a salvo, seguras.
  • Com o controle vem uma dose exagerada de responsabilidades, deveres e a sensação de exaustão. Sob essa couraça de força, encontramos sentimentos de impotência, dependência e uma carência avassaladora.
  • A mulher adaptada, através da identificação com o poder do pai ou em reação ao pai fraco e negligente, corre o risco de viver uma ligação emocional capaz de devastá-la como ao outro, porque nesse caso o vínculo que estabelece é de dependência e, totalmente, possessivo.
  • Essa adaptação do ego de fora para dentro não permite à mulher que sua força venha de forma natural e do centro de sua personalidade - que expresse seu feminino genuíno. 
  • O caminho até ele não passa pelo "fazer alguma coisa". Ao contrário, "nao fazer" é o segredo para encontrar esse caminho.
  • O processo de transformação dessa força começa pela valorização da vulnerabilidade e pelos aspectos incontroláveis de sua existência. Assim, pode criar nova fonte de força.
  • É através da atitude criativa que podem mudar sua vida e o relacionamento consigo e com os outros.






Bibliografia:

"A mulher ferida"  
Leonard, Linda S.
Ed Saraiva