Toda história de vida enseja contos. Estórias construídas, para dar lugar ao desejo de vida ideal.
Muitas vezes, é preciso encontrar defesas para o incompreensível das relações humanas - principalmente, quando são caracterizadas por abusos.
Que conto contamos para nós, sobre nossas experiências? O que queremos acreditar que vivemos, mesmo nas situações onde fomos iludidos, abusados, desvirtuados de nós mesmos?
Quanta complexidade nas histórias de vida de cada um!
Sem dúvida, os mecanismos de defesas são necessários à construção desses contos. Mas, até quando é possível sustentá-los? Quantas mais defesas serão necessárias até que a realidade seja vista e aceita como é?
O filme "The Tale" ilustra de maneira muito interessante as defesas que foram construídas por uma menina de treze anos ao viver suas primeiras experiências sexuais.
Sinopse do filme: A vida idílica de Jennifer Fox, uma experiente documentarista de Nova York, é abalada quando sua mãe descobre uma história, escrita por ela aos 13 anos de idade, que descreve seu relacionamento especial com dois treinadores adultos de um acampamento. Ao ler a história, Jennifer percebe que os detalhes do manuscrito são muito diferentes de suas lembranças daquele momento ocorrido há 40 anos e ela é forçada a confrontar as histórias que contamos para sobreviver.
"O conto" tem roteiro e direção de Jennifer Fox.
O confronto com a realidade, quase sempre doloroso, traz a
possibilidade de integração da personalidade, proporcionando harmonia entre quem se é e a vida boa que se quer ter.
domingo, 9 de dezembro de 2018
domingo, 14 de outubro de 2018
"Quando um muro separa, uma ponte une"
De que lado estamos desse muro que se erigiu e separou uma nação? Muitas vozes ecoando falas, e tantos outros ruídos que ensurdecem e separam cada vez mais o lado A do lado B. Não há verdade absoluta, mas, pode haver respeito e aprendizagem com cada lado dessa grande cisão.
O que nos conta a história da humanidade sobre sistemas políticos e econômicos? Como em cada um deles, o ser humano foi tratado em sua singularidade de credo, raça, gênero etc. ao longo desses anos que nos trouxeram até aqui? Quais os reais interesses de quem é colocado no poder, principalmente, quando nele se instala?
Há tantas possibilidades de perguntas que podem gerar conhecimento e ampliar a visão egocêntrica, servil, acomodada que presta muito ao interesses de poucos.
Muros já caíram e poucas pontes foram construídas.
Há um passado mais recente que pode, como ponta de iceberg, conduzir à profundeza dos valores que estão em jogo.
Não são esses fatos, aclamados por cada lado do muro, verdades absolutas que se bastam.
Conhecer é fazer novas sinapses, é incluir, é deixar ir o que não cabe mais. É desafiar-se, é avançar em novas direções.
No isto ou aquilo que encerram os muros, a visão não tem longo alcance. Empobrece, embota. Favorece o convencimento, a destruição dos dois lados: um tentando vencer o outro aos"berros" ou, pior ainda, calando cada qual em sua verdade.
A quem serve esse muro?
Olha a ponte!
Que o muro caia e muitas pontes sejam vistas, para que a liberdade, o respeito e o crescimento em todos os sentidos sejam possibilidades mais próximas do que os dois lados acenam, especialmente, nesse momento que atravessa nosso país!
domingo, 27 de maio de 2018
Quantas" casas " podemos andar?
Quantas lutas...Quanto a melhorar...Quanta evolução ainda pela frente!
Como nos jogos de tabuleiro, andamos casas, pulamos outras e voltamos... Assim, caminhamos.
Quantos espantos nesse caminhar!
Imaginando ver o jogo de cima, podemos identificar algumas das questões existenciais: as casas desse imenso tabuleiro.
Quantas casas compõem a questão do direito das mulheres de se constituírem como sujeito e não como objeto, para satisfação dos desejos dos homens e do patriarcado?
Andamos quantas? Pulamos algumas? Com certeza, voltamos muitas casas!
A visão da mulher como objeto, desconsidera seus atributos psicológicos e emocionais. Ao ser vista e tratada como objeto ela própria se vê e se coloca nesse lugar, procurando corresponder ao que entende como expectativa a ser satisfeita por ela. Confunde esses padrões com quem ela é. Não reconhece suas possibilidades, seu potencial, sua capacidade de auto regulação, o que influencia até seu engajamento como profissional e cidadã.
Como sair dessa "casa"?
É preciso que as mulheres se reconheçam como indivíduos completos e capazes. Que estejam atentas para identificar as atitudes que reforçam a cultura do machismo e queiram combate-la no seu dia a dia.
Não basta "pular casas"! Muitas atitudes podem parecer eficazes, entretanto, muitas vezes as mulheres agem dentro do padrão de dominação - o mesmo que as colocou no lugar de objeto! Recentemente, a Netflix lançou o filme "Não sou um homem fácil" (I'm not an easy man). Nesse filme, pode-se constatar o quanto não saímos do lugar! Invertemos as posições e, nada mais! Não houve mudança de valores; portanto, não houve desenvolvimento moral suficiente para sairmos da dominação para o paradigma do cuidado - tão imprescindível quando se considera a sociedade humana. Lugar onde homens e mulheres devem ter direito à própria individualidade, com autonomia suficiente para "andar mais casas", nesse "jogo" em que as relações entre nós constroem grande parte da sociedade, pela qual todos devemos ser responsáveis.
Aos homens um pedido: comecem a reflexão assistindo ao filme "I'm not an easy man"!
Às mulheres uma advertência: não continuem ensinando esse jogo da mesma maneira que aprenderam. Somos nós que, na grande maioria das vezes, reproduzimos os padrões da cultura patriarcal !
Como nos jogos de tabuleiro, andamos casas, pulamos outras e voltamos... Assim, caminhamos.
Quantos espantos nesse caminhar!
Imaginando ver o jogo de cima, podemos identificar algumas das questões existenciais: as casas desse imenso tabuleiro.
Quantas casas compõem a questão do direito das mulheres de se constituírem como sujeito e não como objeto, para satisfação dos desejos dos homens e do patriarcado?
Andamos quantas? Pulamos algumas? Com certeza, voltamos muitas casas!
A visão da mulher como objeto, desconsidera seus atributos psicológicos e emocionais. Ao ser vista e tratada como objeto ela própria se vê e se coloca nesse lugar, procurando corresponder ao que entende como expectativa a ser satisfeita por ela. Confunde esses padrões com quem ela é. Não reconhece suas possibilidades, seu potencial, sua capacidade de auto regulação, o que influencia até seu engajamento como profissional e cidadã.
Como sair dessa "casa"?
É preciso que as mulheres se reconheçam como indivíduos completos e capazes. Que estejam atentas para identificar as atitudes que reforçam a cultura do machismo e queiram combate-la no seu dia a dia.
Não basta "pular casas"! Muitas atitudes podem parecer eficazes, entretanto, muitas vezes as mulheres agem dentro do padrão de dominação - o mesmo que as colocou no lugar de objeto! Recentemente, a Netflix lançou o filme "Não sou um homem fácil" (I'm not an easy man). Nesse filme, pode-se constatar o quanto não saímos do lugar! Invertemos as posições e, nada mais! Não houve mudança de valores; portanto, não houve desenvolvimento moral suficiente para sairmos da dominação para o paradigma do cuidado - tão imprescindível quando se considera a sociedade humana. Lugar onde homens e mulheres devem ter direito à própria individualidade, com autonomia suficiente para "andar mais casas", nesse "jogo" em que as relações entre nós constroem grande parte da sociedade, pela qual todos devemos ser responsáveis.
Aos homens um pedido: comecem a reflexão assistindo ao filme "I'm not an easy man"!
Às mulheres uma advertência: não continuem ensinando esse jogo da mesma maneira que aprenderam. Somos nós que, na grande maioria das vezes, reproduzimos os padrões da cultura patriarcal !
domingo, 18 de fevereiro de 2018
Onde foi que perdemos a honra?
Já tivemos momentos, nesses milhões de anos que habitamos a Terra, de maior insegurança, de violência ... De vida tão mais vulnerável!
Sofisticamos as ferramentas, as leis, as sociedades - onde o ser humano supera-se cada vez mais, a ponto de acreditar que pode tudo, que já é tudo. Acredita que esteja pronto, que não deve nada a si mesmo e , tão pouco, a outro!
Onipotência? Onisciência?
Parecem "realidades" humanas que colocam a questão da honra, do respeito, do amor à vida e aos semelhantes em xeque! Em discussão.
O homem do século 21, de fato, tem acesso fácil a muito conhecimento. Pode muito mais e é mais autônomo, sem dúvida. Entretanto, não está melhor!
Todas as facilidades que conquistou parecem tê-lo "afrouxado" em todos os sentidos!
As escolhas que faz são, geralmente, pelo mais rápido, mais fácil, o que exige menos.
Que impacto sofre o caráter com tais escolhas? Quais os reflexos sobre a ética, sobre a qualidade dos relacionamentos?
O autoconhecimento é trabalhoso e contínuo. O certo é mais custoso na maioria das vezes. Dividir a vida com outra (s) pessoa (s) é, certamente, uma tarefa que requer domínio de si, ética; portanto, respeito pelo próximo, além da vivencia do prazer e da satisfação pessoal.
Tornar algo sagrado e se esforçar para honrá-lo - quase sempre, é mais difícil do que fácil.
Se o narcisismo, a busca pelo prazer imediato são dominantes na vida desse século - o sacrifício, o respeito, o amor ao próximo são faltas cada vez mais sentidas e vivenciadas no dia a dia de cada um, em todos os setores da sociedade.
Parece, portanto, que as consequentes violências desse cotidiano são motivadas pelo egoísmo, pela vaidade próprios do eu-grandioso-exibicionista ,cada vez mais exigente e menos consequente, desse homem que involui quase que na mesma velocidade em que cria e desenvolve suas "ferramentas"!
Sofisticamos as ferramentas, as leis, as sociedades - onde o ser humano supera-se cada vez mais, a ponto de acreditar que pode tudo, que já é tudo. Acredita que esteja pronto, que não deve nada a si mesmo e , tão pouco, a outro!
Onipotência? Onisciência?
Parecem "realidades" humanas que colocam a questão da honra, do respeito, do amor à vida e aos semelhantes em xeque! Em discussão.
O homem do século 21, de fato, tem acesso fácil a muito conhecimento. Pode muito mais e é mais autônomo, sem dúvida. Entretanto, não está melhor!
Todas as facilidades que conquistou parecem tê-lo "afrouxado" em todos os sentidos!
As escolhas que faz são, geralmente, pelo mais rápido, mais fácil, o que exige menos.
Que impacto sofre o caráter com tais escolhas? Quais os reflexos sobre a ética, sobre a qualidade dos relacionamentos?
O autoconhecimento é trabalhoso e contínuo. O certo é mais custoso na maioria das vezes. Dividir a vida com outra (s) pessoa (s) é, certamente, uma tarefa que requer domínio de si, ética; portanto, respeito pelo próximo, além da vivencia do prazer e da satisfação pessoal.
Tornar algo sagrado e se esforçar para honrá-lo - quase sempre, é mais difícil do que fácil.
Se o narcisismo, a busca pelo prazer imediato são dominantes na vida desse século - o sacrifício, o respeito, o amor ao próximo são faltas cada vez mais sentidas e vivenciadas no dia a dia de cada um, em todos os setores da sociedade.
Parece, portanto, que as consequentes violências desse cotidiano são motivadas pelo egoísmo, pela vaidade próprios do eu-grandioso-exibicionista ,cada vez mais exigente e menos consequente, desse homem que involui quase que na mesma velocidade em que cria e desenvolve suas "ferramentas"!
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
"Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza"
E, como temos nos lambuzado!!!
Fomos cedendo, cedendo às vontades e aos "merecimentos" cada vez mais vistos como necessidades. E nos lambuzamos!
Alçados por ideologias que transformam valores, estilo de vida e comportamento em "melado" não prestamos atenção no quanto disso nos satisfaz, se de fato precisamos de tanto e tão imediatamente.
Muitas vezes, o se "lambuzar" leva a arrependimentos que, nem sempre podem ser revertidos.
Quanto menos capazes de nos impor frustações menos frutos colhemos - mais tempo perdemos.
Desde cedo é bom aprender a lidar com frustrações. O imediatismo na satisfação de desejos não tira as pessoas do lugar, dá-lhes apenas a ilusão de liberdade, de poder.
Amadurecer é condição para reproduzir, para frutificar, para tirar da vida aquilo que é necessário. Requer enfrentamento, imposição de esforço e, portanto, de frustrações - que suportadas, geram sentimentos autênticos de potência e liberdade.
Quem aprende a comer melado, quando come : saboreia, satisfaz-se e não se lambuza!
Fomos cedendo, cedendo às vontades e aos "merecimentos" cada vez mais vistos como necessidades. E nos lambuzamos!
Alçados por ideologias que transformam valores, estilo de vida e comportamento em "melado" não prestamos atenção no quanto disso nos satisfaz, se de fato precisamos de tanto e tão imediatamente.
Muitas vezes, o se "lambuzar" leva a arrependimentos que, nem sempre podem ser revertidos.
Quanto menos capazes de nos impor frustações menos frutos colhemos - mais tempo perdemos.
Desde cedo é bom aprender a lidar com frustrações. O imediatismo na satisfação de desejos não tira as pessoas do lugar, dá-lhes apenas a ilusão de liberdade, de poder.
Amadurecer é condição para reproduzir, para frutificar, para tirar da vida aquilo que é necessário. Requer enfrentamento, imposição de esforço e, portanto, de frustrações - que suportadas, geram sentimentos autênticos de potência e liberdade.
Quem aprende a comer melado, quando come : saboreia, satisfaz-se e não se lambuza!
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
O que garante humanidade ao ser humano?
No movimento em que nos encontramos, para aceitação das diferenças; nessa grande desacomodação de todos os setores da sociedade humana, mesmo com a resistência esperada nas mudanças, que leva a extremos opostos, encontramos o ser humano carente de humanidade.
Humanidade que não é dada simplesmente porque se é ser humano.
Humanidade que é construída desde o aparecimento do homem na Terra, principalmente, através da evolução de ferramentas criadas e desenvolvidas para solucionar os problemas de seu dia a dia e satisfazer suas necessidades de sobrevivência.
Humanidade que, mais do que nunca, precisa ser refletida sobre a qualidade de sua humanização!
A liberdade de ser como se é, a questão de gênero, de viver sua vida de acordo com as próprias crenças, entre tantos outros comportamentos - impõem ao ser humano, cada vez mais:
- consciência coletiva e do ' direito a' de todos, assim como de seus deveres, enquanto ser social que é
- consciência de si e responsabilidade pessoal
- respeito à própria dignidade e a do outro
- capacidade de se colocar no lugar desse outro
- consciência ambiental - essencial para a sobrevivência de todos.
A constatação de que há essa urgência, ou seja, de que haja mais humanidade no ser humano, soa paradoxal! A obviedade
da questão, entretanto, não tem garantido sua humanização.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Quando o amor está doente
Recentemente, escutei a expressão "o amor está doente" e passei a refletir sobre a maneira como essa ideia foi empregada. Naquela situação, havia o predomínio do sentimento de frustração, raiva, inconformismo e rejeição. O comportamento apresentado em decorrência desses sentimentos era de afastamento, de recusa em conviver com a realidade que se apresentava. A convivência entre as pessoas envolvidas naquelas circunstancias ficou impossível. O amor deu lugar ao ódio.
Mas, será que serão esses sintomas os únicos que descrevem a doença do amor?
Especialmente hoje em dia, quantos mais podemos identificar?
Quantas pessoas são vistas como são, quantas são respeitadas e respeitam? Quantas são capazes de empatia, de se reconhecer no outro?
Aliás, esse outro está cada vez mais sem importância! Sua estima depende mais da sua utilidade do que da sua qualidade de ser!
O uso e abuso desse outro é um dos muitos sintomas da doença do amor. Sintoma gravíssimo quando esse abuso se apresenta na forma de violência: psicológica, física e sexual.
Mascarado, disfarçado o agressor faz crer que ama e, na forma mais perversa de satisfação pessoal toma para si o corpo, a alma das vítimas que, ainda assim, sentem-se culpadas, inadequadas, sujas - indignas.
A perversão do prazer nas relações assimétricas ferem profundamente as vítimas na confiança em si mesmas e no outro, predispondo-as a amar aquém do seu potencial.
O tratamento dessas feridas, como qualquer outro, tem início no reconhecimento de sua necessidade. É preciso compreender que algo tão genuíno e precioso foi tocado antes do tempo ( muito precocemente em muitos casos), quando não havia maturidade para tal vivência e que esse desenvolvimento precisa continuar para que, então, o amor em sua plenitude seja vivido de maneira saudável.
Mas, será que serão esses sintomas os únicos que descrevem a doença do amor?
Especialmente hoje em dia, quantos mais podemos identificar?
Quantas pessoas são vistas como são, quantas são respeitadas e respeitam? Quantas são capazes de empatia, de se reconhecer no outro?
Aliás, esse outro está cada vez mais sem importância! Sua estima depende mais da sua utilidade do que da sua qualidade de ser!
O uso e abuso desse outro é um dos muitos sintomas da doença do amor. Sintoma gravíssimo quando esse abuso se apresenta na forma de violência: psicológica, física e sexual.
Mascarado, disfarçado o agressor faz crer que ama e, na forma mais perversa de satisfação pessoal toma para si o corpo, a alma das vítimas que, ainda assim, sentem-se culpadas, inadequadas, sujas - indignas.
A perversão do prazer nas relações assimétricas ferem profundamente as vítimas na confiança em si mesmas e no outro, predispondo-as a amar aquém do seu potencial.
O tratamento dessas feridas, como qualquer outro, tem início no reconhecimento de sua necessidade. É preciso compreender que algo tão genuíno e precioso foi tocado antes do tempo ( muito precocemente em muitos casos), quando não havia maturidade para tal vivência e que esse desenvolvimento precisa continuar para que, então, o amor em sua plenitude seja vivido de maneira saudável.
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