segunda-feira, 14 de março de 2022

A vida evolui e você?

Não há como negar que houve evolução no modo de viver e se comportar da humanidade. Fomos nos adaptando e desenvolvendo recursos cada vez mais sofisticados de sobrevivência e bem estar. Chegamos até aqui, como espécie,  por conta dessa nossa capacidade de adaptação. 

Mas, enquanto indivíduos, como estamos evoluindo? Na prática do dia a dia, onde está a maior dificuldade de adaptação? 

Quais dessas dificuldades podem estar impedindo sua adaptação aos desafios que a vida apresenta:

- Não consegue ficar no presente? Sente-se preso ao passado ou se (pré) ocupa do futuro?

- Dificuldades com imprevistos? Precisa ter tudo sob controle ou planejar muito, antes de agir? 

- Geralmente, arrepende-se de ter lidado com situações da maneira como lidou? Sentiu que suas reações foram desproporcionais, as emoções intensas demais?

- Prefere deixar que o tempo resolva situações ou assume a direção do que quer, do que sente, do que pensa? 

- Preocupa-se excessivamente com o que os outros vão pensar ou estão pensando sobre você? Quer sempre agradá-los?

- Sente-se inadequado, inferior ou

- Julga os outros como inferiores? 

- Sente necessidade de mudar o outro, as situações ao seu redor? Tende a querer que tudo seja do seu jeito?

Enfim, há muitas maneiras que nos impedem de estar bem conosco, com os outros e com a vida.

Não é incomum as pessoas saberem o que no seu modo de agir dificulta suas vidas. Entretanto, não conseguem sair desse lugar ou lidar de maneira difierente com tais situações. Estão sempre ansiosas, estressadas, por acreditarem que estão em falta consigo, com os outros, com a vida. Perdem sono, comem de mais ou de menos, consomem muito, acumulam; enfim, vão aumentando seus problemas ao invés de enfrentá-los, de encontrar soluções para aquilo que as aflige. (Não raro, nesse enfrentamento, deparam-se com soluções mais simples do que imaginaram.) 

O autoconhecimento é a possibilidade de saída desse "caminho da roça" das repetições. Permite o desenvolvimento da autoestima, diminuindo expectativas, geralmente, muito altas em relação a si e aos outros. Traz a pessoa mais para o presente, onde de fato a vida está acontecendo e a ajuda na aceitação de como ela é. Essa aceitação - de si e da vida como são - é condição para que a pessoa evolua como individuo e sujeito da própria vida.

Há muitas  maneiras de adquirir autoconhecimento: leitura, videos especializados, meditação, psicoterapia etc. Em todas, precisa haver não só o desejo de, mas, dedicação, disciplina, paciência consigo, como requer qualquer aprendizagem . A psicoterapia, dentre poucas, é a que oferece oportunidade de se ter alguém, devidamente preparado, para  nos acompanhar nessa jornada: - A maravilhosa jornada de vir a ser quem se é! Vir a ser  dinâmico, como a vida em evolução.





quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Eros e Logos. Feminino e Masculino: princípios que regem mulheres e homens.

Acredita-se que o Patriarcado tenha sua origem na divisão de tarefas já nos tempos primitivos. As tarefas ligadas à maternidade limitavam as mulheres que, além disso, não tinham a mesma capacidade física dos homens para fugirem dos predadores e caçarem suas presas.

Patriarcado... A regra do Pai... Poder exercido por homens adultos justificado, desde então, pelas diferenças entre a natureza feminina e masculina, em circunstâncias de vida que mudaram muito ao longo do tempo. 

Nascemos nessa estrutura entendendo como "assim que é"; portanto, atribuindo ao homem maior poder e à mulher um status de menor importância na estrutura social. Com as mudanças que promovemos como sociedade (com a importante participação da mulher) chegamos aos conceitos de Feminino e Masculino bastante contaminados pelos muitos modos de aculturação das sociedades - tanto ocidentais, como orientais.

O princípio Masculino associado ao Logos, às regras, aos limites, ao objetivo, ao assertivo, à força de ação e realização etc., desenvolve-se naturalmente nos homens e, de per si, é valorizado.
O princípio Feminino - tanto nas mulheres, como nos homens - é constituído dentro do sistema patriarcal. Em decorrência disso é subestimado em suas características, por todos. 
Gerar e nutrir a vida, basicamente, constitui a importante função do Feminino. Enquanto princípio, ele nutri não só a vida, como também, está presente no autocuidado, no cuidado com e do outro, da vida emocional e psicológica. Está presente até no cuidado das tarefas do dia a dia - que requerem paciência e entrega.
Entregar-se, expor fragilidades, vulnerabilidades são características desse princípio cada vez mais reprimidas e desvalorizadas- principalmente, pelos homens; mas, também, pelas mulheres.

A desvalorização e a supressão de muitos aspectos do princípio Feminino trouxeram para os generos dificuldades, transtornos quase como um convite para redenção desse feminino.

Fomos constituídos como indivíduos, dentro de um patriarcado estrutural. As atuais circunstâncias de vida são outras e exigem da mulher atividades, atitudes e desempenho que favorecem muito sua identificação com aspectos do princípio masculino. As "filhas do Pai" estão cada vez mais parecidas com o que traduz o comportamento masculino.

Identificar-se com o Masculino é diferente de se deixar guiar por ele. À mulher cabem tarefas que lhe ajudem a compreender a melhor maneira de lidar com a contraparte masculina da sua psique. Discernir, separar, ter foco, encontrar o modo mais eficiente de usar sua agressividade, distanciar-se para obter do todo a parte que, de fato, fará diferença na resolução dos problemas - são algumas dessas tarefas.

Como estamos mergulhados nesse mundo regido pelo Masculino, e tendo parte da nossa psique por ele constituída enfrentaremos dificuldades, sem dúvida, para fortalecer o feminino natural em nós. Entretanto, ainda me parecem desafios "menores" do que aqueles que as mulheres muito identificadas com o masculino terão. Especialmente, do que aqueles que os homens enfrentarão caso queiram sair da unilateralidade que os atrofia, e limita sua capacidade na relação consigo e com os outros.

A mulher será forte, equilibrada se tiver sua contraparte masculina ( Animus), suficientemente desenvolvida, madura, capaz de orientá-la  na execução das funções que necessita para viver plena, realizada e saudável.

O homem igualmente saudável, equilibrado será aquele que conta com sua contraparte feminina  (Anima), para orientá-lo. Deixar o egocentrismo que o ser homem lhe rendeu até aqui, para estar na vida inteiro - pode vir a ser a grande tarefa dos homens. Seus esforços, deste ponto de vista, serão grandiosos. Afinal, aparentemente, não há motivos para que sejam feitos: são homens num mundo regido por eles e para eles. O convite para essa jornada será feito, certamente, pela sua Anima, através do sentimento de infelicidade, vazio que os abaterá em algum momento - apesar dos pesares. Afinal, as circunstâncias de vida atuais não podem deixar de ser consideradas.
Diante desse cenário, temos unilateralidade em ambos. Encontraremos aspectos do Feminino tanto na sombra de homens como na de mulheres e em quaisquer formas de identificação com o Masculino e com o Feminino.

As tarefas são muitas e requerem determinação, disciplina e disponibilidade. Tornar-se consciente de si e do que está à volta requer vontade e abertura para aprender e para se reeducar. As mudanças podem ser facilitadas se considerarmos que todos precisamos delas, em maior ou menor grau.

sábado, 18 de dezembro de 2021

Como nos contos de fadas...

Muitas vezes encontramos nos processos psicoterapêuticos temas semelhantes às maldições, aos feitiços dos contos de fadas. Como é frequente neles, alguém é condenado a assumir uma forma animal ou a ser horrível, repulsivo. Há casos, também, em que alguém é forçado a cometer maldades e a ser destrutivo – sem que deseje agir dessa maneira. 

Ódio, raiva, inveja, vingança são sentimentos que mais facilmente encontramos nesses “estados de maldição”.

A raiva já é um sentimento difícil de ser aceito, de ser administrado. Podemos imaginar a dificuldade que é sentir ira, ódio. Contê-los. Controlá-los. 

Apesar do reconhecimento das mágoas, de que a pessoa foi ferida, a raiva, o ódio são, frequentemente, negados e, por isso mesmo, manifestados de maneira muito mais destrutiva.

Os vícios, as compulsões, muitas doenças psicossomáticas, o excessivo sentimento de culpa; enfim, a falta de cuidado para consigo, a depressão, a ideação suicida podem ser sinais de que a raiva está sendo engolida. Sinais de que a raiva está sendo autodirigida. Quando não, transferida, para que outros a expressem pela pessoa.

Onde há maldição – há redenção!

A ira pode ser uma força essencial para redimir complexos e transformar a essência ferida. Se a pessoa puder aprender a se relacionar com a própria raiva poderá ter revelados aspectos dessa essência.

Na falta de modelo de enfrentamento dessa força é necessário trazê-la à tona, apesar do medo  dessa energia tão intensa.

Fogo se controla com fogo! Por exemplo, muitas vezes, ateia-se fogo, para deter o fogo destrutivo de incêndios em florestas. Assim, a ira pode gerar ações de assertividade que estipulam limites.

No conto de fadas dos Irmãos Grimm “O rei sapo”, a princesa encontra sua própria força e o vigor de sua natureza, antes dados aos outros, ao encarar sua ira. 

Mesmo sentindo repugnância pelo sapo, obedece a seu pai no cumprimento da promessa feita. O sapo trouxe a bola de ouro, que ela havia deixado cair no fundo de um poço e ela teria que cuidar, alimentar e o colocá-lo em sua própria cama. A princesa não consegue cumprir essa última parte, deixando-o no chão. O sapo exige que cumpra sua promessa na íntegra. Nesse momento, ela se enfurece e o atira com toda força na parede. No mesmo instante, ele se transforma em príncipe – sua verdadeira natureza, antes de ter sido vítima de um feitiço. A raiva foi a resposta apropriada: libertou o príncipe de sua forma pervertida de sapo.

Em “O rei sapo” a transformação se dá porque a princesa, finalmente, assume a responsabilidade por seus sentimentos femininos e os defende. A ira pode ser o início da conscientização.

Não há dúvida, portanto, de que para transformar ira em energia criativa é preciso que as pessoas tenham acesso a ela. 

É comum que a ira tenha raízes na sensação de abandono, de traição, de rejeição e de violência física e sexual. Situações, muitas vezes, vivenciadas nas primeiras relações da vida de uma pessoa.

Também, não é surpresa que ela reapareça nos relacionamentos atuais e que venha misturada a sentimentos de inveja e vingança - suficientemente fortes -  para matar qualquer relação e, também, para destruir a capacidade de amor-próprio dessas mesmas pessoas.

A tendência suicida de Psique mostra como ela está possuída por essa agressividade mortífera. No mito Eros e Psique ficamos sabendo que ela perdeu a relação com seu amante Eros. Para recuperá-lo precisa realizar as tarefas que são dadas pela invejosa mãe dele, Afrodite. 

Psique se desespera porque as tarefas lhe parecem impossíveis. Não acredita que possa realizar a primeira delas: separar cada tipo de grão daquela imensa montanha deles, até o dia seguinte. Deita-se e dorme. Na manhã seguinte encontra os grãos separados e agrupados. E fica surpresa com o resultado.

Contou, para realizar essa primeira tarefa, com a ajuda de formigas, ou seja, com aspectos dela mesma como: disciplina, determinação e trabalho.

Durante o processo psicoterapêutico esses aspectos podem ser desenvolvidos e/ou fortalecidos para que a pessoa comece a separar o que é próprio, do que é do outro; as próprias expectativas, das expectativas dos outros; quanto da ira realmente pertence a si, quanto é uma ira não-resolvida pelo pai ou pela mãe, ou mesmo pela cultura.


Na segunda tarefa, ela tem que enfrentar carneiros selvagens, cuja fúria é desatinada e assassina, para tirar fios de sua lã dourada. Não vê como fazer isso. Vai até um rio para cometer suicídio. Lá ouve uma voz que lhe diz como cumprir a tarefa:

"Ao cair do sol os carneiros adormecem à beira do rio e deixam nos galhos dos arvoredos, pelos quais passaram, os fios de que precisa. Esgueire-se como junco, pela margem e vá até os arvoredos. Sacuda suas folhas, para que consiga os fios de lã pedidos por Afrodite."

Nessa tarefa foi vital para Psique aprender a ouvir sua voz interior. Com paciência e sabedoria, pode reconhecer o momento certo de agir, de entrar em contato com essa energia, sem ser destruída por ela. 

 

A terceira tarefa, também, parece ser impossível a Psique. Diante da dificuldade a ser enfrentada, ouve vozes sugerindo que desista do que não pode fazer! Você não vai conseguir!  

No alto de uma montanha está a nascente das águas que correm para o rio do mundo inferior. É dessa nascente que Afrodite quer que Psique traga água limpa em um vaso de cristal. Zeus lhe envia uma águia, que pega o vaso de cristal e voa com ele até o alto da montanha, enchendo-o com habilidade. Psique recebe o vaso com a água e o entrega a Afrodite.

Ganhar distância dos problemas para deles tirar só o necessário foi a habilidade que Psique desenvolveu, através dessa tarefa

Foi (e É) necessário unir consciente e inconsciente para conter a energia da ira e lhe dar forma, ou seja, para não  deixar que se dissipe numa ira amorfa.

 A aceitação e a transformação da ira podem liberar e revelar a força e o espírito das pessoas "enfeitiçadas", redimindo-as para viverem a qualidade das pessoas que são, em suas essências genuínas. 

  




Trechos do livro "A mulher ferida" de Linda S. Leonard. - Ed Saraiva  - foram adaptados por mim na composição do texto acima.


sábado, 20 de novembro de 2021

Resistência

Atua em todos nós, com maior ou menor intensidade, como um inimigo pronto a nos tirar o melhor, a nos fazer sentir impotentes e conformados com o que quer que seja – desde que não a enfrentemos! 


A resistência nada mais é do que uma defesa do ego (inconsciente ou não), para impedir que chegue até ele aquilo que possa trazer sofrimento e/ou o livre de possíveis transformações.


Ela conta com outros mecanismos de defesa bastante eficientes na tarefa de manter as pessoas, dentro ou fora de um tratamento psicológico, na sua zona de conforto.

Alguns deles, talvez os mais usados, sejam: a repressão, a racionalização, o ganho secundário, a transferência de responsabilidade, a postergação entre outros.


As possibilidades de vir a ser de todos são únicas. Naturalmente, o processo de individuação acontece, desde o nascimento. Nossa alma traz em si uma centelha, uma semente sem igual que precisa ser plantada, fertilizada, para que dê aquele único fruto nela contido.


Esse vir a ser, essa vocação assusta, gera medo! Por incrível que pareça, muitos de nós temem o próprio êxito! Medo que encontra na resistência uma aliada de peso.

Ao invés de enfrentá-lo, como alguns tantos fazem, cuidam outros de colocar obstáculos ao próprio desenvolvimento.

A resistência, frequentemente é levada a termo, através da racionalização, que conta com a postergação, que impede que se saia da zona de conforto, que por sua vez, mantem os ganhos secundários de muita gente!


Exemplos? Todos temos alguns!

Cada um sabe quais “razões” encontra para adiar atividades do dia a dia, promessas de final de ano, ou mesmo aquelas que sempre começarão às segundas feiras... Sabemos quais desculpas usamos para fugir, evitar ou adiar nossa realização, êxito e felicidade em qualquer setor da vida – como se o tempo fosse da resistência seu maior cúmplice!

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

A jornada do homem rumo a" Sofia" e ao amor.

Eva, Helena, Maria e Sofia: aspectos da Anima não muito claros, para os homens que buscam encontrar a  mulher perfeita ou "a" mulher de suas vidas. Aquela que preencherá tudo que construiram a seu respeito ao longo das experiencias com as mulheres.

A primeira delas é Eva. Geralmente, "a mulher para casar" e com ela ter filhos. A esposa. Eva logo perde o brilho aos olhos desse homem que não se vê feliz com a vida de casado!

Aqui, recomeça a busca pela  juventude e beleza das mulheres Helena. 

Um retrocesso, uma regressão à fase onde a forma física conta muito para que a mulher perfeita seja nela projetada. Tudo, assim, será renovado , como a promessa de vida feliz. Expectativa de mudança que não inclui a própria. Está tudo certo com ele, naturalmente. "Eva", e a vida como seu marido é que não eram bem como imaginava...

Casa-se com "Helena". A bela noiva é alçada ao pedestal de Maria: a personificação de tudo que sempre quis encontrar em uma mulher. Enfim, a mulher perfeita!

"Maria", que é de carne e osso, como ele, com o passar do tempo revela-se real, humana demais! Decepciona-se mais uma vez o homem da história da vida de tantas mulheres...

Sai ele frustrado, decepcionado e, mais uma vez, em busca da mulher perfeita.

Aqui, se ele se der conta que gira em círculos em torno de si - poderá entender que a mulher idealizada não existe. 

Nesse momento, poderá avistar Sofia. Ela está do outro lado do caminho que fez até aqui. A passagem até ela é estreita, como costuma ser a que nos leva ao encontro de nós mesmos.

A decepcção com as mulheres ( idealizadas) é o que pode levar o homem à sua completude.

Ele precisa retirar suas projeções sobre elas, para se dar conta que o que não suporta nelas, muitas vezes, não suporta em si mesmo. 

Se uma bela Helena reflete sua virilidade e superioridade como homem, quando ela passa a simples mortal, que imagem dele reflete - para si e para o mundo? Que imagem dele, essa mortal espelha?

Encarar sua decepção é o início da  jornada rumo a Sofia. É preciso atravessar a própria sombra, para chegar ao Self . Para ser inteiro em si mesmo.

Conhecendo-se, compreende que não precisa da mulher  ideal - nem mesmo da real - para vivenciar sua completude. Do seu encontro com "Sofia", nasce a sabedoria de que sua vida é possível sem a mulher perfeita.

A vida, simplesmente, pode ficar melhor na companhia de sua mulher. Assim, finalmente, entrega-se ao amor.


terça-feira, 6 de julho de 2021

A vida como ela é. Sofrimento

Geralmente, seu conceito está associado a dor física e emocional. Nesta última, geralmente, os sentimentos são considerados como fonte do sofrer.

Sentir saudades, dói. A dor da perda por morte, por separação, por escolhas mal feitas, sem dúvida, não é pequena. Dói e muito! Sentir culpa, angústia, ansiedade, medo, desamparo, também , gera muito sofrimento. 

Há a dor pela não aceitação da realidade da vida como ela é: objetiva e subjetivamente. E isso inclui aceitar sentir dor ou aceitar a dor propriamente dita. Não o sofrimento pelo sofrimento. 

É, através da dor que buscamos solução. É um sinal de alerta. É o limite que deve ser respeitado

No caso da dor física é ela que traz consciência do corpo e de seus limites; da sua saúde ou doença.

A dor emocional nos chama à consciência dos sentimentos e de suas possíveis causas. Até oferece oportunidade para que se aprenda sua linguagem.

O enfrentamento dos sentimentos e a aceitação de que são parte da vida motivam a busca por superação e autoconhecimento.

O sofrimento proporcional aos ferimentos, aos sentimentos que o provocam traz em si a possibilidade de cura dessas dores essenciais à sobrevivência e ao nosso amadurecimento emocional.

Negar essas dores, suprimi-las a todo custo ou, até mesmo, apegar-se ao sofrimento que resulta delas são defesas contra o prazer de viver a vida como ela é : viva!


quarta-feira, 31 de março de 2021

Voce pode contar consigo ?


Nesses tempos difíceis ou em qualquer outro, onde encontramos nossa segurança?

Falar de segurança quando atravessamos luto, fome, desamparo, desconfiança e ameaça à própria vida e a dos que amamos parece não fazer sentido. É um desafio e tanto!

Todo esse contexto nos coloca entre "as nossas quatro paredes"! Quem encontramos entre elas? 

Depois do muito ou do pouco que, ainda, pode nos satisfazer ou distrair - quem resta?

- Nós e o outro! Já não há muito entre um e outro. O estreitamento dessa convivência entre nós e o outro traz muitas questões e desafios como o contar cada vez mais consigo mesmo para se suportar (em ambos os sentidos!).

Como está a convivência consigo mesmo? Está atento aos seus sentimentos? Tem sido compreensivo ou impaciente consigo?
Respeita seus limites? Enfim:

- Você pode contar consigo ? O sentimento de confiança em si é suficiente para ficar bem com você e com o outro? Encontra paz entre suas paredes, ou seja, em sua própria vida? 

O que o acalma? O que o tira do tédio? Como lida com o estresse das frustrações? Como alimenta sua alma?   

Saber cuidar de si é, também, requisito para cuidar do outro. Saber que pode contar consigo, com seus recursos, com sua satisfação pessoal diminui as expectativas sobre o outro que, por sua vez, ocupando-se de si está em igualdade, lado a lado nessa grande aventura que é viver!