quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Falta um: a angústia e a jornada da incompletude humana

Falta um!  Falta um objeto, para completar, para sanar a angústia da falta.

Falta um para que, com a idealização da completude, o sentimento de onipotência volte a ser vivenciado, como já o foi no paraíso, na mitologia grega ( o mito do homem redondo) e na relação mãe/bebê.

Falta um! Um objeto que precisa ser encontrado a todo custo para que a vida siga, ganhe sentido e, finalmente, livre o homem da angústia existencial. Nessa busca, encontramos as mais variadas formas de compulsão e sofrimento. 

Em sua incompletude, o ser humano vivencia  a angústia da sua existência única, separada. Sobretudo, é através da falta que se pode movimentar para lidar com a angústia. Não há o objeto perfeito, o jeito perfeito de se fazer, de se relacionar e de ser. Sempre, haverá um vazio!

O jogo  conhecido como puzzle de deslizamento ou quebra cabeça deslizante ajuda a compreender melhor o papel da angústia existencial ou o papel da falta na condição humana: não fosse o quadrado vazio, não haveria como fazer os deslizamentos para completar as sequências do jogo. Apesar do quebra cabeça ser resolvido, ainda, resta um vazio!

Assim, é!

A "falta" se revela como uma força motriz na experiência humana, impulsionando a busca por significado e completude. A angústia gerada pela separação e pela incompletude não deve ser vista apenas como um fardo, mas como um convite à ação e à reflexão. Assim como no quebra-cabeça, é no espaço vazio que encontramos a oportunidade de nos mover, de buscar e de nos reinventar. Ao abraçar essa falta, podemos transformar a angústia em um caminho para a autodescoberta e para a construção de uma vida mais plena.






segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O estado borderline da sociedade


dade e insanidade. Perdemos os contornos da etiqueta, da ética, do sagrado (em si e em nós). Já não nos reconhecemos no outro! Estamos, cada vez mais, desaprendendo a argumentar racionalmente, objetivamente e com respeito. Passamos a defender pontos de vista, com parcialidade e agressividade impulsiva - aos berros, murros, tiros e perversidade.

A linha que separa o são do insano está borrada, tênue. A racionalidade contaminada por impulsos. O público e o privado cada vez mais indiferenciado.


A lei do menor esforço vigora na busca do prazer, como fonte de poder. E, no imperativo desse poder o humano vem se aproximando do caos, da desgovernança de si e da sociedade.

Uma sociedade saudável e sagrada é consciente  dos valores que a orientam e que, portanto, precisam ser defendidos e preservados para uma existência digna daqueles que a compõem.