sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Autoestima - Auto exigência:aspectos positivos e negativos

Qual a melhor definição para auto-estima? Como entender a relação entre baixa auto estima e auto exigência elevada? Nem sempre, a inveja acompanha esse par, mas, também não é incomum o sentimento de inveja participar dessa dinâmica.

Há aspectos positivos na auto exigência. Sem dúvida, disciplina, esforços e até sacrifícios são necessários quando se quer melhorar como pessoa ou como profissional ou se quer atingir objetivos. Não ficar satisfeito consigo mesmo, com suas atuações, com suas realizações, diminuindo-as, esvaziando-as, comparando-as com as de outras pessoas que, nessas avaliações sempre se saem melhor do que a própria pessoa, constituem impedimento para a auto-estima. Essa atitude distancia a pessoa de sua auto-realização e/ou da realização de seus objetivos. Paralisa-a por perceber como e quanto está longe do que quer! Em muitos casos, propicia o desenvolvimento de outro sentimento bastante comum – a inveja.

A admiração por alguém, pelos seus feitos, sua originalidade e sucesso é um sentimento que ajuda a busca de auto-realização. É um aspecto da identificação, através da qual, o desejo de se desenvolver, de se realizar é mobilizado. Contribui, portanto, para o desenvolvimento e aperfeiçoamento pessoal. “Quando eu crescer, quero ser como”, “quero fazer como”, “quero viver como”... Enfim, o forjar-se como pessoa, como profissional nasce, também, da identificação, da admiração que se tem por uma ou por várias pessoas; por seus valores, ideais e comportamento. Reconhecer em si traços, realizações semelhantes àqueles admirados incrementa o sentimento de valor pessoal. Eleva a auto-estima. Se ,ao contrário, constatam-se falhas nesses intentos, não só o sentimento de valor pessoal decresce, como também, é possível que a inveja ganhe espaço na vida de quem se vê sempre aquém do que gostaria de ser, fazer e/ou ter.

Vale ressaltar que a identificação é um dos aspectos desse grande projeto de vida: o tornar-se si mesmo. Outros tantos contribuem para busca e realização desse importante e significativo processo. A tenacidade, persistência, a força de vontade e a disciplina são recursos que ao serem mobilizados conduzem as pessoas na direção daquilo que as realiza.

A inveja faz parte da natureza humana. Como qualquer sentimento, interfere se sua intensidade e freqüência afetarem a vida da pessoa, trazendo-lhe prejuízos ou sofrimento. Geralmente, “o sentimento expresso é de que jamais haverá o suficiente: quanto mais houver para os outros, tanto mais me é mostrado quão pouco há para mim."
Na dinâmica da inveja o sentimento é o de incapacidade para alcançar o que se deseja, embora o objeto de satisfação se encontre tão próximo"(Nathan Schwartz-Salant). Apesar de ser desconfortável vivenciar esse sentimento, a inveja pode contribuir para o fortalecimento da auto-estima!

Por acreditar que para si cabe tão pouco ou quase nada, aquele que inveja deixa de se perguntar como pode conseguir mais para si, por que age de forma a se privar daquilo que mais quer ou necessita.

Alimentar raiva por todos e por si mesmo por acreditar-se privado de tudo que deseja, admira e os sentimentos de inferioridade daí decorrentes, ajudam a corroer, a minar a auto-estima e a manter a relação entre auto-estima baixa e auto-exigência elevada e inversamente proporcional. Quanto maior a autodepreciação, maior a auto- exigência e, sendo ela muito além da realidade, maior a distância entre si e o que se quer.

Questionar-se, trazendo para si a responsabilidade de transformar os motivos que geram inveja em ações efetivas na direção daquilo que se quer, faz-se dela um sentimento potencialmente positivo para o crescimento pessoal e incremento da auto-estima. Além de minimizar sentimentos como raiva, inferioridade e incompetência.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Tristeza

Mais um sentimento importante para consideração. Que importância damos a ela?
Quanto a suportamos?
Temos mesmo que suportá-la?
Ou a crença num estado constante de prazer, que somos levados a acreditar ser possível, faz com que a desprezemos em lugar de respeitá-la?

Acredito que a tristeza, sentimento que muitas vezes, está associado a perdas, a desilusões e a decepções leva-nos para nosso interior e nos incita a ficar um pouco a sós conosco; convida a pensar, a buscar uma nova ordem, às vezes até, novo sentido para nossas vidas.

Cultivá-la é, sem dúvida, um risco; entretanto, aprender com ela, certamente, traz ganhos, crescimento – um ressurgir com mais consciência, mais resistência e mais alegria de viver.
Alguns estados de tristeza, prolongam-se. Neles andamos pela vida alheios, desligados de nós mesmos...A vida fica suspensa! É como perder o sentido da vida. O olhar para ela é cheio do vazio que a alma deixou ao se recolher ferida, é cheio de dúvidas ou de outras certezas...

Falar sobre o que nos deixa tristes, o que pensamos e queremos nesse estado, contribui, ao contrário do que costuma-se acreditar, para que ela seja elaborada. Deixar sempre para lá, distrair-se dela a qualquer custo, são medidas adotadas freqüentemente e que, quase sempre, favorecem o prolongamento desse sentimento doloroso.( Volto a lembrar que cultivar a tristeza encerra um risco de adoecer e que não é o mesmo que respeitá-la, acolhe-la para transformá-la, através da elaboração da perda sofrida, da dor sentida.)

No recolhimento para onde nos leva a tristeza não reconhecemos a vida de antes – não nos reconhecemos...Estamos perdidos de nós mesmos!

Mesmo assim, seguimos adiante. E seguir adiante é condição para a saída desse estado. O recolhimento é da alma. A rotina deve ser mantida. Estar nela, mesmo não se sentindo nela, permite que em algum momento, um elemento novo qualquer surpreenda-nos e ajude a lembrar de nós mesmos.

A alegria, contrapartida da tristeza, pode estar nesse elemento novo! É ela que chegando de surpresa faz com que a alma retorne de seu exílio e torne possível o prazer de viver um dia azul ensolarado, de sentir o sabor dos alimentos, de participar do encontro com pessoas, de rir, cantar, trabalhar, planejar, conquistar, desejar...Enfim, possibilita o prazer de estar vivo e o desejo de viver.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

RAIVA

Tão importante quanto o medo é para nossa defesa, a raiva é um sentimento que pode redimir e transformar. Geralmente, somos levados a reprimi-la, juntamente, com as mágoas que a provocam. Reprimindo-a, ela se volta para dentro, talvez na forma de sintomas físicos ou de idéias depressivas que paralisam a vida e a criatividade das pessoas magoadas ou ressentidas.

A raiva tem, contudo, uma poderosa reserva de energia que, sendo bem utilizada, poderá libertar o potencial de quem a sente. Além disso, a pessoa poderá encontrar a ordem, a estabilidade e a relação de confiança com o mundo.

Trago aqui uma adaptação do texto escrito por Linda Schierse Leonard, em seu livro “A Mulher Ferida”.
Como freqüentemente a raiva é sentida muito intensamente, muitas vezes prefere-se evitar o confronto com tal força, mascarando-a de diversas maneiras, como, por exemplo, através dos vícios. Com álcool, essa emoção pode explodir quando a pessoa se embriaga, mas sem a consciência e a aceitação responsável dessa vivencia. O excesso alimentar pode ser outro caminho para “agir arbitrariamente”. A raiva em geral está oculta no corpo. Dores de cabeça, nas costas, úlceras, colite, problemas estomacais normalmente desaparecem quando se resolve aceitá-la. A depressão, estado em que toda a energia parece sumir, é outra armadilha. Ataques de ansiedade podem encobrir a raiva. Ela pode ser disfarçada através da sedução e/ou rejeição sexual. Ela pode provocar a raiva alheia, fazendo com que o outro a manifeste em lugar da pessoa que a sente. Quantas brigas não são provocadas dessa forma?
A atitude cínica e amarga, tanto de mulheres como de homens, que “abusam” uns dos outros sem reservas, é uma forma de devolver ao outro a dependência que insistem em alimentar em si mesmos. Em geral, essa vingança assume a forma de um consumismo compulsivo que lhes absorve tempo e energia.
Sentimentos obsessivos de culpa também encobrem a raiva, pois é como espancar-se o tempo todo. Outro meio habitual de encobri-la vem através de uma atitude intelectual de “sabe-tudo” que intimida os outros ou de um ataque crítico que não vai realmente ao alvo, mas, atinge as pessoas de forma a deixá-las totalmente desarmadas.
O martírio, o ascetismo, uma ética profissional puritana, o orgulho diante do próprio senso de dever e responsabilidade podem ser maneiras de ocultar a própria raiva, assim como a postura hipócrita que permite dizer ao outro “Sou quem sou”, enquanto teme, por baixo, o tempo todo, o risco de expor a própria vulnerabilidade.
As pessoas que temem a ira incendiária da auto-afirmação podem chegar a extremos para adaptar-se, ocultando a própria raiva por trás de uma mascara social agradável. Por darem sua energia aos outros, esvaziam-se e perdem a noção de seu próprio eixo, sentindo-se fracas e impotentes. A ansiedade decorrente dessa tendência a agradar e a se desdobrar exageradamente, oculta uma raiva que nunca se aprendeu a enfrentar!
À medida que pudermos aprender a nos relacionar com a própria raiva, nossos relacionamentos e nossas vidas serão mais plenos tanto física, como emocionalmente.
Como resultado dessa aprendizagem vê-se pessoas com poder de se afirmar, de estipular seus próprios limites e de dizer “não”, quando necessário. Ao aprender a lidar com ela, podemos admitir nossa vulnerabilidade e fraquezas, assim como nos apropriar do poder e da força pessoal.
 
De que modo é possível ligar-se a essa raiva poderosa, em lugar de ser ameaçados ou aterrorizados por ela? Como é possível transformar essa emoção em energia criativa?
Há, pelo menos, dois estágios: o primeiro consiste em trazer a raiva à tona; o segundo, em transformar o poder da raiva em energia criativa. Muitas vezes, tem-se medo do fogo e da energia enfurecida que vive no nosso íntimo. A analogia com o modo como se enfrenta um incêndio na floresta serve como ilustração dessa situação. Aí se enfrenta “fogo com fogo”. Os incêndios florestais são combatidos ateando outro fogo em volta do incêndio perigoso para dete-lo. Da mesma maneira, permitir que a raiva se apresente num rompante emocionado pode, de fato, limitá-la, no próprio movimento de libertá-la. “Não vou mais suportar nada disso!” Enfrentar a ira suprimida com mais ira é o que sugere a versão dos Irmãos Grimm para o conto de fadas chamado “O rei sapo”.
Nesta versão, uma princesa, cuja bola de ouro tinha rolado para dentro de um poço, pede ao sapo que a ajude a recuperá-la. O sapo concorda desde que, em troca, a princesa o alimente, cuide dele e deixe que se deite com ela na cama. Assim que ela tem a bola de volta, esquece-se de sua promessa. Porem, enquanto janta com seu pai, ouve-se um nítido coaxar do lado de fora da porta. O pai pergunta quem é e, depois de saber a historia do sapo, ordena à filha que cumpra a promessa. A princesa sente nojo do sapo, mas o leva para seu quarto e o alimenta. Po-lo consigo em sua cama é por demais repugnante; assim, ela o deixa no chão. Quando o sapo cobra mais esse ato, o cumprimento total da palavra dada, ela se enfurece e o atira com toda a raiva contra a parede; no mesmo instante, ele se transforma em príncipe, que era na verdade sua natureza, antes de ter sido vitima de um feitiço.
A raiva da princesa é a resposta apropriada. Ao assumir a responsabilidade por ela, presta atenção a seus sentimentos e a seus instintos e confia neles. Num ato de ira, redime o sapo e o transforma em príncipe.

Através desse conto, vemos como a raiva pode ser o início da conscientização.

A transformação da raiva resulta numa pessoa forte que, com sua energia criativa e sabedoria, pode contribuir para o próprio crescimento, o de outras pessoas e, até mesmo, o da cultura.

MEDO

Esse sentimento que acompanha o ser humano desde sempre, faz com que a vida seja preservada, mas também, muitas vezes, freada, paralisada. Vida morna!
O reverso desse sentimento é a coragem. Como se passa do medo à coragem?
A coragem pede que se analisem os obstáculos a vencer. O medo também. Pensar sobre o que se tem medo ajuda mais que racionalizar. As racionalizações, que são mecanismos de defesa inconscientes, servem muito mais ao medo do que à coragem. No medo, elas são mais freqüentes e se bem construídas confundem-se com pensamentos e juízos de valores autênticos. Em geral, elas levam a respostas de esquiva ou fuga, de maneira a nos sentir justificados por não enfrentarmos os objetos de nossos medos.
Contudo, ao analisarmos, refletirmos acerca desses objetos, poderemos descobrir que nem tudo que desperta medo em nós, é impossível de ser vencido.
Há situações que despertam medo, mas para as quais, temos muitos recursos!Se nos apropriamos deles e, apesar do medo, enfrentamos essas situações, mobilizamos o sentimento, a força – nossa coragem!
Para outras tantas , podemos de fato não ter os recursos necessários e estaremos sendo prudentes não as enfrentando!
Há ainda uma terceira possibilidade,ou seja, aquela em que dispondo-se de recursos, não se enfrenta quaisquer situações que pareçam ameaçadoras!E não as enfrentando, deixa-se a vida passar... E, passando, vamos nos acomodando, sem nos dar conta do tanto que o medo nos domina.

Mas, se cada um de nós tivesse a chance de repetir a mesma vida, quantos de nós a viveria de novo – do mesmo jeito?

As reflexões, o virar-se para si, querendo compreender os sentimentos, os comportamentos que temos diante das muitas situações de vida, ajudam a nos predispor à mudanças de atitude. Através do pensamento, desperta-se desejos, projetos que são adiados pelo medo, pelo conformismo diante dele. Pouco a pouco nos desafiamos a enfrentar situações que provocam desconforto, ansiedade ou angustia. Esse enfrentamento traz o sentimento de superação e fortalece. Descobrimos que somos corajosos!
Enfim, para vencer o medo, é preciso enfrentá-lo. A coragem nasce do enfrentamento que, por sua vez, favorece o desabrochar e o fortalecimento do eu mais verdadeiro. Aquele que dá sentido à vida e que a realiza.
Muitas vezes, as defesas que são estruturadas ao longo da vida, ajudam a formar um falso eu que nos conduz mais pelo medo do que pela coragem! O autoconhecimento propicia o reconhecimento do verdadeiro eu, levando a pessoa a libertar-se de suas defesas paralisantes e a restituir-lhe o prazer de viver, sem o domínio do medo

Em Tempos de Desamparo

A ansiedade e seus transtornos podem ser entendidos como sintomas da dificuldade que o homem contemporâneo tem de apropriar-se de si mesmo (e de suas emoções) e de fazer uso da condição de ser livre. E é nessa condição que ele, em sua singularidade, encontra sustentação e faz escolhas.

Se antes, era difícil fazê-las por conta de padrões de comportamento rígidos e muito bem definidos e de regras claras que, de fato, norteavam a vida de boa parte das pessoas, hoje a falta deles ou a multiplicidade de padrões disponíveis, não torna mais fácil essa tarefa. Pelo contrário! Definir limites para a própria individualidade, para que cada singularidade seja colocada de forma sustentável, gera o sentimento de desamparo, gera incertezas, angústias, medo e, por isso mesmo, é algo a ser evitado; afinal, hoje tem-se baixa resistência a frustrações! Não se aguenta sentir, sofrer.

Acredita-se que devemos, apenas, ter prazer! Por conta dessa crença cede-se aos muitos apelos para que nos afastemos de nós. Apelos que iludem quanto aos caminhos que conduzirão, de fato, à liberdade, à felicidade. São muitas ofertas e promessas de felicidade. O que escolher? Difícil. Mais fácil é seguir adiante...

Consumimos de alimentos a drogas – as lícitas e as ilícitas -   e nos entorpecemos com a satisfação de todos os nossos desejos ou pela impossibilidade de te-los todos realizados.
Chama a atenção o número de propagandas que levam o consumidor a pensar naquilo que o faz feliz. "Brincar, passear, ler, reunir a família e os amigos, ter uma boa conversa, comer chocolate, namorar, não fazer nada, ter tempo para pensar", levantar voo nas asas dos próprios sonhos... E, aqui voltamos ao que faz sentido para cada um.

Volta-se para o singular, ao sujeito que faz escolhas que pode ter o domínio de si e que, assim, é capaz de sustentar-se e de realizar-se.

Ocorre-me a imagem de uma criança, libertando-se do andador, feliz, muito feliz, por ter finalmente conseguido andar sozinha!
Quantas imagens, quantas lembranças temos das conquistas que testemunhamos em nós e nos outros?! Quantas tentativas precisamos fazer para adquirir uma habilidade, para dominá-la; para realizar uma tarefa; para chegarmos ao fim de um desafio? Ás vezes precisamos fazer várias, outras vezes nem tantas... Mas, certamente,o sentimento de autoconfiança e realização são mais fortes, quando finalmente, atingimos nossos objetivos.

Esse sentimento é um dos que ajudam a nos sustentar, favorecendo a consciência de si, que também, inclui os limites dados pelas nossas incompetências.

Reconhecer do que se é capaz, ou seja, as próprias competências e incompetências, é outra condição para estabelecer os limites da individualidade, é outra condição para o exercício da liberdade.

Qualquer unilateralidade desampara, engana, escraviza, “emperra a engrenagem”. Prejudica o “feeling”, o juízo de valor presente em qualquer escolha, por menor que seja. Saber em que terreno estamos, quais os recursos de que dispomos numa dada situação nos beneficia. Assim como ter consciência das incompetências que devem ser respeitadas ou trabalhadas ajuda muito a caminhar sobre os próprios pés - amparados pela consciência e domínio de si.

"O Que Faz Voce Feliz?"

Em outras oportunidades defendi a importância de viver em primeira pessoa como condição de auto-realização e de felicidade. Ser sujeito da própria vida exige coragem, dedicação e determinação; para tanto, é preciso despertar o herói que existe em nós e buscar aquilo que nos faz felizes! É preciso virar-se para si e refletir sobre o que faz a sua felicidade.
As crises que se enfrenta ao longo da vida impõemreflexões importantes a cerca do como se esta vivendo, das escolhas que são feitas, mas, principalmente, dos valores que norteiam essas escolhas. O que é realmente importante? O que faz você feliz?
Como seres faltantes que somos, estamos sempre motivados a buscar: segurança, realização pessoal e profissional ,sucesso; enfim, a felicidade. O que se quer é serfeliz. Mas, onde está a felicidade? Que escolhas são feitas no sentido daquilo que nos falta? Como fazemos essas escolhas?
No início de nossas vidas, são as mães ou as pessoas que cuidam de nós que dizem por que choramos, o que devemos comer e a que horas, o que vestir, quando dormir, se é melhor desse jeito ou daquele!Enfim, nessa etapa dependemos do outro. Não somos capazes de fazer escolhas! Apenas reagimos ao conforto e ao desconforto que essas ações provocam em nós. À medida que interagimos com as pessoas no ambiente familiar, que adquirimos habilidades, conhecimentos, vamos interpretando tudo isso de maneira única e singular; e, assim, formamos a visão de nós e do mundo que nos cerca. A partir daí as primeiras escolhas são feitas.
Como acontece no meio familiar, também, sofre-se influencias do ambiente social, cultural, religioso, político e do modelo econômico onde crescemos. Cada um desses meios tem suas maneiras de dizer o que devemos escolher e como devemos fazer essas escolhas. Quais são as nossas necessidades!

E, nós o que queremos?

Queremos nos sentir amados, admirados, valorizados, “pertencentes a”. Assim, durante décadas e décadas de nossas vidas, vamos escolhendo caminhos muitas vezes distantes daquilo que, realmente, queremos. Não só caminhos são determinados por tudo isso que nos rodeia, mas, também o que desejar, o que fazer e, principalmente, o que ter. Parece que todos sabem mais o que é melhor para nós do que nós mesmos!(Apesar de há muito sermos capazes de fazer escolhas!)
Freqüentemente, pessoas se angustiam,sofrem por julgarem que há algo de errado com elas por não estarem onde dizem que é bom estar, onde, por isso, acredita-se que devam estar!
Mas, o que faz você feliz? Pelo que vale lutar tanto?Correr tanto?Dedicar-se?Entregar-se? Como e quando dar-se por satisfeito, apesar da condição humana de ser faltante?

Identificar necessidades reais favorece a definição de reais interesses que, por sua vez, geram ações que conduzem na direção da auto-realização e da felicidade. É mais fácil escolher quando se desenvolve a capacidade de fazer juízo de valores, quando se é orientado pela escala de valores que diz sobre cada um de nós, que nos revela e nos eleva à condição de seres únicos, capazes de se individuar e, por isso mesmo, de pertencer a.

-“O que faz você feliz?”

FELICIDADE

Somos seres faltantes. É isso que nos faz sobreviver, é o que nos motiva a buscar segurança, realização pessoal e profissional, sucesso; enfim, a felicidade. Queremos ser felizes. Mas,onde está a felicidade?
Além de faltantes, somos seres capazes de fazer escolhas. E as fazemos o tempo todo. O que nos falta? Que escolhas fazemos no sentido daquilo que nos falta?
Quando bebes, são as mães ou aqueles que cuidam de nós que dizem por que choramos,o que devemos comer e a que horas ,quando dormimos, acordamos, se há muita luz, barulho ,gente a nossa volta, se gostamos dessa ou daquela situação;enfim, nessa etapa dependemos do outro, do ambiente que nos cerca. Não somos capazes de fazer escolhas. Da influencia da herança genética, da interação com as pessoas que nos cercam daquilo que aprendemos com elas, das habilidades e do conhecimento que adquirimos e da interpretação que fazemos de tudo isso é que vai se formando a visão de nós e do mundo a nossa volta. E, ao mesmo tempo, as primeiras escolhas vão sendo feitas! Como no ambiente familiar, a escola, os amigos, as pessoas que admiramos, as públicas, a mídia, as oportunidades que temos ou não, o modelo político- econômico vão nos dizendo o que devemos fazer para nos sentir completos, realizados, felizes! E, nós o que queremos?
Queremos nos sentir admirados, valorizados, pertencendo à família, ao grupo de amigos, das pessoas realizadas; enfim, ao grupo das pessoas felizes. Quanto mais jovens somos, mais intensamente desejamos isso. Contudo, nós todos,seres faltantes que somos, precisamos nos sentir “pertencentes a”. Assim, durante décadas de nossas vidas, vamos escolhendo os caminhos, ditados por esses grupos, rumo à tão sonhada felicidade. Não só os caminhos são indicados, mas o que devemos ter, desejar, fazer, como nos vestir, aonde ir, como nos comportar para mostrar o que conseguimos e a que grupo pertencemos!
A crise que enfrentamos nos impõe reflexões importantes a cerca do como estamos vivendo, das escolhas que fazemos mas, principalmente, dos valores que norteiam essas escolhas. O que, realmente, é importante para cada um de nós? - “O que faz você feliz?”, como pergunta Seu Jorge no jingle do comercial de um supermercado!
Há mais de trinta anos , o rei do Butão (pequeno país entre o Tibete e a China) – Jigme Singye Wangchuk – criou um índice para avaliar a felicidade de seu povo – o FIB (Felicidade Interna Bruta). Esse índice está sendo adotado como um índice de desenvolvimento social por vários países, inclusive o Brasil. (Em outubro, o Brasil,será sede do próximo encontro internacional sobre o FIB).Esse índice já é um reflexo das mudanças que serão necessárias para que a sociedade e o ambiente no qual se sustenta, não sucumba ao modelo de unilateralidade que a idéia do quanto mais melhor impôs como aquilo que traz felicidade.Ele é resultado da avaliação de nove dimensões que tem o mesmo peso e são relacionadas entre si. As noves dimensões que compõem o FIB são:
1. Padrão de vida econômica
2. Educação de qualidade
3. Saúde
4. Expectativa de vida e atividade comunitária
5. Proteção ambiental
6. Bons critérios de governança
7. Acesso à cultura
8. Gerenciamento equilibrado do tempo
9. Bem estar psicológico
Fonte:ategea news/maio
Em outra oportunidade defendi a importância de se viver em primeira pessoa como primeira condição de felicidade. Ser sujeito da própria vida exige coragem, dedicação e determinação. É preciso despertar o herói que existe em nós para buscarmos aquilo que nos faz felizes! É preciso virar-se para si e refletir.
Hoje sabemos da importância da educação, da boa alimentação, da boa noite de sono, dos exercícios físicos, dos cuidados com a saúde física e emocional, da auto-estima, da manutenção dos vínculos afetivos, do gerenciamento equilibrado do tempo, dos sentimentos como confiança, gratidão e das atitudes de solidariedade; enfim, da importância da consciência e do respeito a si mesmo, ao outro e ao mundo que nos cerca. A felicidade é de nossa responsabilidade – de cada um de nós, de todos nós.