quarta-feira, 8 de junho de 2011

Estar consigo mesmo

Saber sobre si, sobre as próprias dificuldades e, até mesmo, sobre o que mudar não é um relato incomum. Dizem:" Sei o que acontece comigo,sei como sou, o que faço e o que deveria fazer, mas não consigo mudar". Afirmam esse saber com muita propriedade .

Se ter consciencia é uma das condições importantes para se promover mudanças - por que é tão difícil mudar?

Como venho pontuando,quando se trata de mudança de atitude,as amarras psicoemocionais são grandes obstáculos!
Ceder, abrir mão, desapegar-se das defesas e dos comportamentos habituais pode significar perder. Perder privilégios, controle, poder. Poder, muitas vezes, sobre a vida de outros e sobre a possibilidade de responsabilizá-los pela própria infelicidade.
Pessoas com dificuldade para viver a propria vida, para assumir a responsabilidade sobre si, sobre suas escolhas tendem a exercer controle sobre o ambiente e sobre os outros,fazendo-lhes sempre mais e mais exigencias e cobranças.

Constatar que há sofrimento e muita insatisfação dessas pessoas, apesar do "privilégio" de verem as coisas saindo como querem e as pessoas agindo sob suas batutas,conduz a muitas hipóteses.
A que levanto aqui, é que a deficiência de relacionamento consigo mesmo, é grande obstáculo ao sentimento de suficiência pessoal tão necessário à felicidade.
Não conseguir estar consigo mesmo, em relação com seu mundo interior, com sua alma, ou seja, com aquilo que diferencia uns dos outros, pode levar a esse sentimento de impotencia diante daquilo que se sabe necessário fazer para promover mudanças.

Essas pessoas - que, muitas vezes, espreitam com inveja e desejo de vingança a vida dos outros - que costumam ser responsabilizados pelos insucessos e infelicidade de suas vidas e que, porisso mesmo, acabam por receber toda carga emocional que essa posição diante da vida costuma encerrar - defendem sua dificuldade de mudar com os mais variados motivos e com as mais variadas justificativas .
Como quando um carro atola, insistem em repetir, repetir, repetir padrões de comportamento, atolando mais e mais suas vidas num mesmo lugar.Até podem pedir ajuda para desatolar , mas não abrem mão dessa insistencia! Afastar-se do "carro atolado", deixá-lo onde atolou, para pedir socorro mais efetivo, pode até passar pelas suas cabeças, mas o medo de sair de dentro do carro e deixá-lo ali, muitas vezes é maior do que o desejo de solucionar o que lhes angustia.

Quando se mantem vínculo fragil consigo mesmo, os pensamentos, as intuições,as impressões, a experiencia anterior adquirida e a criatividade para encontrar novas possibilidades de agir desaparecem, somem no vazio no qual a pessoa se transforma no momento em que mais precisa contar consigo mesma!
Em momentos de forte pressão ou de fortes emoções, não estão consigo mesmas, não conseguem acessar as funções necessárias para organizar o caos que se instaura dentro delas. Não basta ter consciencia de si se não se tem vínculo forte consigo mesmo. Muitas mudanças só são possíveis através desse vínculo.

A sensação de vazio - é "só" uma sensação e não uma realidade. Todos os recursos pessoais estão intactos e disponíveis - basta não se desamparar ou se desesperar.Para tanto, é necessário aprender a confiar na riqueza de possibilidades produzida pelo ser único que cada um é e a estar consigo mesmo numa parceria de vida bem sucedida.

domingo, 3 de abril de 2011

VIVER

Viver a vida que se tem para viver, essa vida que nem sempre é como se deseja... Lidar com essa frustração, caso ela não seja mesmo como foi desejada, e com a realidade que nos cerca requer habilidades.
Uma delas, a que implica em aceitar a realidade como é, favorece a flexibilidade e o uso de recursos para enfrenta-la,para tirar dela aquilo que nos é necessário,que nos da prazer e nos realiza.Para tanto, precisamos não só desenvolver habilidades como nos libertar das amarras emocionais.

A habilidade para viver melhor requer exercício para ser desenvolvida.
Exercitar a resistencia à frustração,a assertividade,ou seja, a adaptação às cirunstancias de um dado momento,gera competencias para relações bem sucedidas com a vida.
Esses exercícios podem ser feitos nessa sequencia:1-pensar,deter-se na compreensão de um dado acontecimento(externo ou interno);2- identificar os sentimentos,valores e crenças que são mobilizados por ele e 3- escolher a melhor maneira de comportar-se diante dele.
A frequencia e a dedicação com que se exercita essas ações garantem a aquisição dessa habilidade e o fortalecimento da competencia para viver a vida como ela é.

Além desse exercício, a habilidade para viver de forma saudável,com qualidade e maior satisfação pode ser favorecida ou prejudicada por estados emocionais tais como culpa e medo.
Muitas vezes o medo desproporcional de reprovação pode se estender de tal forma que a pessoa, temendo ser reprovada, deixa de fazer escolhas, deixa de atuar e de assumir as rédeas da situação e, até mesmo, da própria vida.
A pessoa com esse medo, pode sentir que incomoda os outros,pode temer recusar um convite, discordar de uma opinião, manifestar qualquer desejo, deixar de obedecer a quaisquer normas, chamar a atenção de qualquer maneira.
Pode, tambem, sentir um medo permanente de que as pessoas descubram alguma coisa a respeito dela.E, mesmo quando se sente querida, sua inclinação é para o retraimento - dessa forma, acredita que impede que descubram o que ela é realmente e que a abandonem.

E o que tanto teme que os outros saibam?

Que sente muita raiva, inveja, vontade de se vingar,que nao acha justo depender de si mesma e que,porisso,nao deseja se esforçar para obter o que deseja.
Que em seu íntimo, insiste em viver a vida de outras pessoas, seja dominando-as ou explorando-as, através de recursos como afeição, amor ou submissão.
Que esconde o quão fraca e insegura se sente e quanto é incapaz de afirmar-se e, mais, o quanto de ansiedade existe nela.
Por essas razões, constrói uma fachada para si e,por ter consciencia dessa insinceridade de sua personalidade ou dessa parte dela, teme ser descoberta e reprovada. Assim, medo e culpa se mesclam.

O medo de ser desmascarada mais cedo ou mais tarde, deixa a pessoa em estado de ansiedade contínua,ou seja, ela passa a maior parte do tempo tensa, na expectativa de que algo ruim possa acontecer e com dificuldade de desativar esse estado.
Nesse estado de alerta constante, a pessoa tem dificuldade para se concentrar, pensar com clareza, identificar sentimentos e decidir por esse ou aquele comportamento. Entretanto, se tiver oportunidade de relaxar essas defesas e, finalmente, enfrentar sua realidade pessoal - não só será capaz de fortalecer-se, como será capaz de desenvolver as habilidades necessárias para seu equilibrio pessoal e estabelecimento de relações bem sucedidas com a vida.

Viver de forma equilibrada e saudável implica na aceitação de si,no fortalecimento de competencias, na aquisição de habilidades e na superação contínua de si mesmo e da realidade que nos cerca.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

E se...

Se tivesse feito, sido, dito...
Se tivesse o corpo assim ou assado,
o nariz, o cabelo, a boca;
enfim, se fosse como essa ou aquela,
esse ou aquele...

Então...
Ah, entao a vida seria diferente! Muito diferente! Muito...

E, COMO seria? Como seria?

Muitas respostas a essa pergunta fazem pensar como as idealizações, as fantasias ganham dimensões de realidade para muitas pessoas...E não é só quanto à aparência que essas idealizações ganham peso de realidade!
Os pensamentos são encadeados de tal maneira que a realidade subjetiva ganha mais peso que a objetiva!
Os sentimentos logo são associados a esses pensamentos e,assim, tudo se transforma em verdade,em crença!
O agir ou o não agir são ditados por essas crenças. A pessoa se apega de tal maneira a elas que, dificilmente, ouve ou percebe outras maneiras de se relacionar consigo, com os outros e com a realidade que a cerca. Infeliz, mas segura, segue vivendo em ciclos viciosos. Acredita-se no controle da vida,evitando surpresas desagradáveis, problemas, desconfortos - sofrimento.

Tendo pouca resistência à frustrações, mobiliza as pessoas que a cercam para compensá-la por perdas sofridas, requisita delas o enfrentamento que julga não ser de sua responsabilidade.

Sente-se incompreendida e injustiçada, quando solicitada a mudar de atitude.Enquanto não volta para o conforto do espaço criado dentro de si, vive e gera o caos em torno de si.

E se, se fosse possível acreditar em si, no outro, nas relações e na vida...
Se fosse possível gostar de quem se é, das escolhas feitas ...
Como seria?

Provavelmente seria mais fácil viver, decidir, enfrentar os imprevistos, resolver problemas...Certamente, seria mais fácil locomover-se entre isso e aquilo, entre esses e aqueles...Como seria bom viver a vida que se tem para viver!

sábado, 20 de novembro de 2010

Bem querer

O bem querer é assim: pode passar muito, muito tempo entre um encontro e outro que vivemos o reencontro como se tivéssemos acabado de nos despedir!
O bem querer traz calma, renova as energias e aumenta a pulsão de vida. Renova, rejuvenesce. Faz a gente querer e acreditar em novas possibilidades.
No bem querer, quando há encontro, a solidão deixa de existir e é mesmo como colorir a vida de alegria!
A amizade é vínculo que consolida, consola e ampara.É vínculo forte que nos amarra,sem nos prender.Faz a gente ficar com gosto de quero mais - mas, alimenta! E é com ele,também, que se segue vivendo... Até o próximo encontro...
Até breve!
Feliz Natal!Feliz Ano Novo a todos os amigos!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Fazer pelo querer

Refletir sobre as atitudes que norteiam nosso comportamento pode levar à identificação de pensamentos, sentimentos, percepções, padrões, crenças e/ou valores que influenciam as escolhas que fazemos durante a vida e que podem determinar o destino que a ela se dá.

Parar para pensar,organizar e direcionar ações no dia-a-dia tem sido um desafio contínuo para quem se propõe a desenvolver uma atitude mental positiva e quer atingir equilíbrio pessoal, realização profissional, qualidade de vida, status,etc.

Parece simples demais. Óbvio demais! - Mas, quanto tempo do dia é dedicado a esse exame? Quanto tempo é investido no pensar antes de agir?

Agir, muitas vezes, é o objetivo! Agir por agir! O fazer é cultuado, é prestigiado, mesmo que não signifique nada. Ouve-se, cada vez com mais frequencia, a troca que é feita entre as pessoas sobre os seus fazeres, enaltecendo sua falta de tempo! Ve-se pessoas cada vez mais conectadas, seguindo umas as outras...!

Como as pessoas se vem e são vistas nesse fazer? Que necessidade é essa? A que serve esse agir?

Olhar para si, para o outro e para o que, realmente, importa ou faz diferença para cada um, parece natural, parece simples e, talvez, porisso mesmo, dedique-se pouco tempo a essa investigação e à reflexão das atitudes que se tem diante da vida.

Levamos a vida para onde queremos, quando refletimos sobre ela, quando traçamos objetivos a curto, médio e/ou a longo prazo;enfim, quando vislumbramos onde queremos estar ou como queremos viver aqui e agora ou no futuro.

Perguntar ajuda a iniciar uma reflexão, então:
- Há coerência entre o seu fazer e o que quer viver?
Voce está indo por onde lhe parece fácil,confortável hoje,mas,desejando viver uma realidade um pouco a frente que exige mais,muito mais para ser atingida?

Enfim, que ações, hoje, levam voce a acreditar que está indo na direção daquilo que quer para sua vida?

A QUE SERVE O SEU FAZER?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ELA - A Anima

Ela - aquela que encanta, seduz, ilude. Ela que se confunde com outras mulheres e que nelas é procurada. 
Ela quem aconselha! Não ouví-la tem preço alto: mau humor, caprichos, exageros, exigências, insatisfação, instabilidade e prolapsos.

Ah...os caprichos e prolapsos da anima!!!

Ela é a mulher ideal - a contraparte feminina da personalidade masculina.
Precisa ser reconhecida assim. A partir daí, o homem é seu amo e senhor - a quem serve com alegria!
É ela quem faz a ponte entre ele e o seu mundo interior.
Ela e só ela pode corresponder ao seu ideal de mulher - por que ele e ela são um só.

Não é mais a sereia que, com seu canto e encantos, toma-o para si.
Nem é a deusa (da beleza, sensualidade, inteligencia,...) que o escraviza na realização de seus desejos, num fazer por ela sem fim.

Tê-la como cúmplice e parceira perfeita é poder ir ao encontro do seu eu mais verdadeiro e profundo. É transformar suas relações e tornar-se sábio.
É poder ser parceiro e cúmplice da mulher real - vista e respeitada como tal. Aquela a quem, finalmente, pode entregar-se.

domingo, 27 de junho de 2010

Pensando no outro

Ah... O outro...
Esse mistério, muitas vezes impenetrável, sagrado, a quem, simplesmente, “tiramos” por nós mesmos e, sem parcimônia, ditamos o que dele esperamos...
Pai, mãe, filho, filha, irmão, irmã.Amigo, amiga – esse parece ser o outro melhor aceito como é!
Parceiro, parceira, marido, mulher – o outro mais próximo e o que mais se perde de vista!Ve-lo como é, parece um risco.

E, sem o outro, que parceria é possível?

Identificações, projeções. Identidades confundidas ou fundidas no anseio do par perfeito!
Eu perdido (a) no outro! O espelho a quem não vejo, senão como reflexo de mim mesma (o)!
Ouví-lo? Só quando diz o que se quer ouvir! Senão, que se cale para não trazer desprazer, culpa e/ou consciência – para não refletir um eu que não se quer ser.

Ah... O outro... Com quem se pode passar grande parte da vida a sonhar, sem imaginar os sonhos que sonhou...
Que tenha sonhado, no mínimo, os mesmos sonhos!É o que dele se espera...

Ah... O outro que teima em ser outro que não o que se espera que seja...

Ah... O outro que atrai e afasta, que satisfaz e frustra, que se aproxima e se distancia em si mesmo...

Quem é esse outro?

Muitas vezes, é aquele que não pode ser. Anulado, subjugado e depreciado.
É aquele que não é, senão, o que dele se espera... Ou é aquele de quem se precisa... Mas que não pode se dar conta disso, para que as deficiências de um sejam contidas pelo outro...

Ver o outro como é, ouvi-lo, apreender seus códigos, gestos, atitudes - seus sinais - para, aos poucos, compreende-lo é mesmo arte! Arte de conviver. É sinal de maturidade emocional e psicológica. É respeito e, principalmente, reflexo de quem já conhece um pouco de si mesmo.

Ah... O outro... Mistério... O desconhecido a quem, se nos puséssemos a conhecer, passaríamos a vida conhecendo...